Uma manifestação palpável
do anseio popular por emancipação
O Glorioso foi forjado na batalha diária do povo que o criou e sempre o carregou. Esta perspectiva o torna Especialíssimo, pois quando o Corinthiano está a ver das arquibancadas o Corinthians jogar, não o está fazendo por pura ânsia de vencer; o Corinthiano aprende desde cedo que não basta só vencer. Há de ser de modo Corinthiano.
O torcedor do Corinthians está presente porquê o Corinthians está em campo. É isto que basta. A Fiel vê o Corinthians não para vangloriar-se, pois a duras penas obteve do destino grandes derrotas e soube com elas lidar. Ela está junto daquilo a que tem um incondicional amor. “Ser Corinthiano é ir além de ser ou não ser o primeiro”, diz o nosso Poeta, sintetizando.
Quando há o reencontro da Fiel como seu Corinthians, é como se a Mãe voltasse a ver seu filho. Pois o Corinthians é um clube que tem uma mãe, a sua Fiel Torcida. Ela nasceu antes do próprio clube ao qual pertence, e deu à luz ao Glorioso. As determinações do acaso Corinthians são as expressões vivas de cada Corinthiano que de si doou a alma para que se forjasse, Una, a Grande Alma Corinthiana. A divisão cabe apenas conceitualmente; existe o Corinthians, que é tudo isso.
Cada voz nas arquibancadas é a expressão da Alma. Isto é o Corinthians.
Esta Alma está para o Corinthiano como uma religião está para o seu fiel. Este é o significado de Fiel, uma tentativa de ter esta Alma análoga à imagem da procissão, uma devoção incomensurável; o Corinthians é algo mais que divino.
Política Interna
Não é justo, porém, que dentro de nossas próprias Forças surja algo que possa fazer o papel, ainda que não na intenção completa, ainda que por fraqueza do próprio espírito, e ainda que por um certo desamor por si mesmo, da anti-Corinthianidade. Não é justo que se faça uma figura como está que está a presidir o Glorioso, que para salvar-se assim em encrencas e desmandos cometidos apareça com coisas piores que ele próprio, não medindo esforços para livrar sua própria carcaça de uma falência que virá, ainda que este país seja o que é e permita que façam o que fazem, e é inevitável que essa falência se dê. O que a Nação precisa compreender, e o que os asseclas do traidor precisam conjecturar em suas mentes já doentes de tanto tempo a babar sobre os mal-feitos do “presidente”, é que o Patrimônio está em jogo nesta história. Ou seja, o que o traidor conquistou em sua nefasta ditadura, ainda que vitoriosa e recheada de maravilhosas conquistas, muitas que foram fruto puro do Corinthianismo, e outras à parte dele, ainda que comemoradas com igual veemência, tudo isso que trouxe de bom o traidor, conseguirá anular com esse mal-feito horrível.
Para o Corinthians prosseguir em nome do Padroeiro é necessário limpar a casa. Como Resistência a essa agenda política de destruição e sufocamento, é necessário criar-se uma cultura política, uma cidadania Corinthiana, uma volta ao Primeiro Corinthians, das assembléias e das vozes ativas. Hoje somos milhões. Claro, nem todos atuarão com a Força dos que atuarão de forma que a própria vida dependerá, como já depende, do Corinthians.
Presidente não pode durar mais de quatro anos. Não pode haver reeleição. O presidente será porta-voz do Parlamento, onde serão deliberadas, votadas e determinadas todas as ações de todos os âmbitos de decisões do Clube. O torcedor terá participação nesse parlamento, pois terá uma assembléia própria para levar propostas, projetos, aspirações. O torcedor que comparecer a essa Assembléia terá vínculos associativos com o Corinthians, de forma a possuir credencial, não necessitando ser votado para que participe de tal câmara. Mas é a partir desta câmara que se elegerão os Conselheiros do Parlamento, ou seja, eles primeiro terão que passar pela ante-sala democrática. E para se tornarem Conselheiros terão de se associar e contribuir, se já não o fizerem. Será deste parlamento que se elegerá a diretoria e a presidência. Mas a fiscalização será tão intensa que ninguém se atreverá a usurpar as prerrogativas, dado que as regras serão muito claras, sem chances para manobras ou interpretações. Haverá a função de corregedor, auditagem oficial, e deverá ser externa ao clube.
Toda decisão será votada necessariamente no Parlamento, e será dever do participante da câmara observar, e contestar se for necessário, tudo aquilo que julgar se tratar de desmando. Se sua voz for aclamada, poderá colocar questões de ordem para o próprio Parlamento, nas horas em que se fará ser necessária, nas sessões deliberativas. Não haverão sessões deliberativas fechadas.
Assim haverá ação ativa e comunicativa para que haja a manifestação cada vez mais palpável do anseio popular e, finalmente, uma real emancipação.
Política ExternaÉ de se notar que a maioria dos outros clubes não quer tanto ter uma torcida, prefere que ela o bajule de forma adulatória e só; e se não vencer não tem sequer uma voz de apoio. Muitos são assim, vestem a camisa do avesso ou a esconde se a fase é ruim. Existem alguns que precisam de promoções para que o estádio fique lotado, mesmo se a fase é boa. São seres sem alma,meros zumbis que fingem estar ao lado de uma camisa. Uma camisa dessa jamais representará alma alguma pois jamais chegará a ter uma alma. E porque nunca teve.
Coisas cuja origem é a sujeira, a má intenção, podem até alcançar certo êxito, mas esmorecerão na medida em que sua fraca força for se esvaindo. O caso aqui colocado é uma fundição de clubes que até tinham a sua função, exemplo do Paulistano, mas que se perdeu quando da própria fundição. Clubes que se fundem perdem a alma, e existem exemplos extremos a se ver. Por exemplo, o que é o Paraná Clube? Justamente, um clube com uma alminha fraquinha, uma fundição de dois clubes que até eram queridos. Imagine o Fortaleza se fundir com o Ceará. Sabe o que aconteceria? As duas torcidas iriam criar outros times. Foi o que aconteceu com a referida patotinha; por anos a fio teve nenhuma ou pouquíssima gente a lhe apreciar, pois de fato sempre foi detestável, e passou a aglutinar alguns seres conforme a agenda política do funcionamento da opressão golpista dava certo.
Por outro lado o Corinthians sempre teve tanta alma que precisou fazer como as cidades gregas da antiguidade faziam. Alguns se despediram da metrópole e foram criar uma outra cidade. Havia uma cisão profunda do Corinthians com a sua época, e isso se deu pelo volume de oriundi que tínhamos em Piratininga, no começo do século vinte. Na época em que o clube da colônia foi fundado, com quadro associativo e jogadores outrora Corinthianos, o Corinthians já era o clube da cidade, de uma cidade pujante com população cada vez mais crescente.
Pai e filho. É injusto consigo próprio que o filho queira o mal ao pai, e vice versa. Querer mal aqui não significa não lutar contra – muito pelo contrário. Generais da época grega que citamos louvavam o adversário com quem lutariam, como forma de valorizar-se. Querer mal nesse sentido em que é dito tem a ver com desejar o fim do outro. É isso que sempre quis desde que nasceu,contra todos que o cercam esse monstrengo sem alma supracitado. Pai e filho não desejam o fim ao outro pois que senão não poderiam tirar suas alegrias (e tristezas, aprendidas na luta e sabidamente importantes). Devem desejar, pois é necessário, o fim daquele que deseja o fim, o elemento escuso e aviltador.
Tal elemento passou a vida tentando nos destruir, e usou as dificuldades todas que enfrentaríamos normalmente, da história, da conjuntura, das particularidades, para sempre tentar criar algo que pudesse auxiliar a agenda política, causa única de sua origem e de todo o vazio que carrega. Aquilo não é adversário de batalha, mas um inimigo a ser extirpado. Desacordados estão aqueles que pensam se relacionar a esta coisa, da forma que quiserem denominar. É necessário que as idéias da maioria, levada por uma onda e por modismos desinteressantíssimos e ausentes de qualquer verdade ou paixão, sejam clarificadas e que eles se manquem do que fazem consigo próprios.
Há muito mais no mundo que preferir uma patotinha a serviço de uma nefasta agenda política. Obviamente que futebol é guerra. Nada mudará com o fim dessa coisa.