domingo, outubro 01, 2006

Teresa Social Club

Tetê começará amanhã a escolinha

Esta segunda tem sido esperada há muito tempo. Desde que, com sucesso, foram feitas as negociações com o Espaço da Vila para que Teresa pudesse ter o privilégio de freqüentar esta maravilhosa escola, não pudemos dar o começo definitivo por conta dos dias doentinha e da vacina, cuja última ainda será dada nesta terça.
Mas chegou o dia. E vem em hora certa, pois a Princesa ainda convive muito com adultos, sendo sempre o centro das atenções. Ela continuará sendo, claro, porém agora será entre os semelhantes, os miúdos, as crianças. Afinal, ela tem de ser criança e brincar com muitas crianças, o que não vinha se dando, a não ser nos passeios com o Vô no parque, quando ali no parquinho se encontrava com a Valentina, o Miguel, e muitas outras figuras ilustres.
Neste domingo parecia pressentir o dia que virá. Ficou animadíssima o dia todo, feliz, bem de saúde, com esta cara linda que ela tem de monte. Fomos com a Vovó Flavia no Capuano, e pela primeira vez a Princesa comeu fusilli, e tinha até um trovatore, que ficou apaixonado por Teresa. Ela, animadíssima como só.
E amanhã, então, quem levará a Queridíssima será o Vovô, que ficará com ela junto com as monitoras e a turminha. É a chamada adaptação, que durará uma semana, e começa com três horas (das nove às doze, na segunda e na terça), depois quatro até o fim da semana (oito às doze). Apenas na outra segunda é que a mamãe levará a Princesa na hora em que estiver se dirigindo ao trabalho, ou seja, sete horas. E a saída será à uma da tarde.
Tetê então vai descansar bem, dormir a noite com os anjinhos, pois agora começa a sua jornada no mundo da educação, da escola, que vai durar muito ainda em sua vida. E precisa descansar porque terá de passar a ser acordada. A vida é dura, meu amor. Aproveite-a bem.

Murar

Enquanto aguardamos a apuração
F
h-se e um naco da tucanocracia (nomes de peso, o vampiro, goldman, guerra), como informa o gaspari, não estão preocupados, como os cães que podem vir babando, ou não, mas que sempre babam, em elaborar a construção golpista caso o çapo for eleito. Para estes a democracia tem até um que de importância, ou seja, candidato que leva tem que governar.
Já o çapo, se perder no segundo turno...

Sabem como o chuchu está querendo tapar o rombo, que ele nega haver numa hipocrisia desgraçada e pefelenta, de quase dois bilhões de reais no caixa desse estado? Ele quer privatizar parcialmente a Nossa Caixa. Vinte por cento dela é este total, e as contas estariam zeradas. Nesta tecnocracia assassina quem pagará o pato é pobre lembosinho, e este povo paulista.

E cristovam, o zonzo, já fechou seu apoio com a corja chuchulenta para o provável segundo turno.

O çapo está folgado antes de poder. A respeito do doçiê, disse “parece que algumas pessoas gostam de fazer esse tipo de trambicagem política”. E o que fará com todos os conchavos já fechados se perder a eleição, caro çapóide? Disse ainda “quero que investiguem quem vendeu essa história do doçiê”. Esse recado é duplo; mostra ao bigode que ele está, no mínimo, nas mãos do çapo, e pro vampiro, para que ele não apronte outra.

Collor e Jefferson já se acertaram, e o senador pelas Alagoas será petebista por causa da cláusula de barreira.

O que fazer com um sistema imbecil onde um maldito doleiro que nada produz a não ser maracutais, gire mais de noventa milhões de dólares?
O que espera a humanidade da especulação desenfreada e assassina?

As apurações
E
stá maior, neste momento o numero de votos para fafifif; e na rádio Suplicy questiona porque não o pessoal da imprensa não perguntou porque fafifif votou contra os direitos dos trabalhadores, contra a reforma agrária, contra o povo, na constituinte. O cães babam.

Por enquanto, babaluf está eleito, com ruçomano, clodovéia, enéias, paulinho da força, erunda, chinalha, e izar, o da bandeira do conselho de ética, com menos votos que estes.

A festa da democracia

Hoje é dia de votar. Como cidadão que somos, obedientes às normativas de nossa sociedade, mui prestosa, perderemos nosso descanso dominical sagrado para sairmos, obrigados, de casa e nos dirigirmos ao local sagrado de votação.
Neste domingo não haverá futebol, pois é trabalho e hoje é feriado obrigatório e não pode haver outra festa que não a do voto. Os jogadores estarão votando, como todos os cidadãos.
É um dia em que nos absteremos de beber a sagrada cervejinha, para agüentar a semana que se inaugurará em uma segunda-feira, dura como todas as segundas. Não tomaremos a sagrada cervejinha pois a democracia é mais sagrada.
Hoje, mui prestosos, cada cidadão terá escolhido, racionalmente, o seu candidato, e depositado nele o voto da confiança, merecedor que é o mui honrado político.
Democraticamente concentraremos nossos pensamentos no futuro de nossa republica. É assim a festa da democracia.
A nova geração surge então acostumada a esta festa. Dizem que ela não deixará que esta prerrogativa republicana desapareça, enquanto for essa festa, onde todos o cidadãos são obrigados a estar.
Afinal de contas o que pode ser mais cidadão que perder os direitos de cidadão se não cumprir um direito fundamental de cidadão? De tão fundamental que é este direito, incrivelmente, numa mágica ibérica-tupiniquim magnífica, ele se transformou num dever, numa amarra a que é submetido o cidadão. E como aqui é Brasil, e a lei do ventre livre teve de acontecer para interromper o nascimento de escravos, é natural que quem esteja nascendo tenha que ter garantido o seu dever de votação.

Mosqueteiro

A cara do Brasil
Se a corintianidade não existe para esta superestrutura, é fatal que não esteja em campo. Já há algum tempo é assim, apesar de termos corinthianos vestidos com a armadura do Manto Glorioso. É o ciclo polibiano a la brasileira.

final de semana? leão deu folga
P
ois é. Equipe que não treina aguça a mediocridade, e é exatamente isso que Leão está a fazer: mediocrizando de vez um grupo que até teria muito potencial para ser mais do que é, mas não encontra respaldo dentro do próprio clube, pelo motivo dito acima. A imprensa, adorando isto tudo, vem como urubu dizendo que o técnico agora se delicia com a disputa entre Gustavo e César. O que é isso? Fim da picada.
Assim, Leão vem a público dizer que vai entrar na retranca contra as sardinhas estivadoras. Marcelo Mattos, um guerreiro utópico, é mais Corinthiano; "Temos mais seis partidas dentro de casa e estamos todos muito focados. Acredito que se conseguirmos umas três vitórias consecutivas, sairemos dessa zona de rebaixamento e poderemos até conseguir uma vaga na Libertadores”. Sonhe com raça, meu camarada.

Mais um capítulo de nossa epopéia
O Povo em campo

O mais antigo texto de estatutos do Glorioso que se conhece data de 1913. Foi aprovado em Assembléia Geral no dia 11 de junho daquele ano. Esse documento – que obviamente foi exigido para que o clube pudesse se filiar à Liga Paulista de Futebol – dirime qualquer dúvida sobre a data oficial da fundação. Ele estabelece o dia “1º de setembro como o da fundação do Sport Club Corinthians Paulista, com número ilimitado de sócios, que tem por fim a educação physica e a propaganda do football, ping-pong, etc.”. A data de 1/9/10 vale se admitirmos os fatos como eles devem ter ocorrido; o estabelecimento oficial da data de 1º de setembro de 1910 não é aleatório. Poderia ser contestada, como foi muitas vezes. O club dos operários era uma idéia que vinha sendo gestada há algum tempo, meses, e por diversas cabeças, naquele Bom Retiro debruçado em várzeas em que se jogava muita bola.

É que no ano do cometa Halley alguma coisa se havia decidido e tudo determinou para que o mais brasileiro teria um nome inglês, numa escolha democrática. Os fatos assim se encaixavam: fundado no dia 1º, a fundação decisiva, viveu-se nos dias subseqüentes (o dia 7, da pátria, e 8, de Nossa Senhora) os acertos e ajustes típicos das agremiações varzeanas: o training, a peneira, para avaliar quem jogaria no primeiro, no segundo e terceiro quadros, a escolha das cores da camisa (branca com punhos e gola pretos), a corrida para fazer os calções de sacos de farinha, arrumados com os espanhóis do mercadão, a vaquinha para comprar a primeira bola de capotão, o aluguel do campo do Lenheiro, a capina do terreno, as traves de bambu.

Time de várzea não treina, joga. A várzea sempre foi a pátria da improvisação e há quem diga que o Glorioso, como autêntico e opimo fruto da várzea, partiu para o seu primeiro jogo coma cara e a coragem. Sem reino preparatório nenhum. O Corinthians começou sua carreira futebolística formando um Timão a partir da experiência sabida de cada jogador. Conheciam-se os craques, os bons de bola, e estes haviam sido convidados e aceitaram vir jogar no novo clube. O Coringão, então não tinha um, mas três times. Houve um training, neste feriado, principalmente para amansar as rivalidades pessoais, apresentar em uma mesma perspectiva o pessoal do Botafogo com o pessoal do Pary, e com o pessoal do Domitila; ajuste de temperamentos, pois havia gente ali que trabalhava pesado e outros que tinham o privilégio de estudar em boa escola, uma vida mais mansa. Entretanto, se houve ou não o tal training, não há ninguém vivo pra contar e ata nenhuma para provar.

O fato mais comprovado e confirmado por inúmeras penas e depoimentos verbais é que houve o primeiro jogo de verdade, contra o União da Lapa.
O dia é incerto, e a incerteza vem da imprecisão de datas que se publicaram. O time A era capitaneado por Rafael Perrone, e o B por Anselmo Correa, dois dos cinco primeiros Corinthianos, nada mais normal. Ocorre então a confusão. O dia 14 de setembro, um domingo, é a data mencionada tanto como sendo a do primeiro training, quanto como o dia do primeiro jogo da vida do Coringão, contra o União. A dúvida toma desmedida proproção ao observamos em qualquer calendário que dia 14 era quarta feira, dia de batente. Provavelmente a vaquinha para a primeira bola tenha ocorrido nesse dia... Ou ainda um bate bola entre os garotos do Arquidiocesano, do Coração de Jesus, do Gymnasio do Carmo, a estrear o campo do lenheiro, como reconhecimento do gramado. Certo é que estavam presentes tanto César Nunes quanto seu irmão caçula, o Manuel, o Grande Guerreiro, o Primeiro, Neco. Ambos vinham do Botafogo.

Antoninho de Almeida, o Ancião (o Glorioso foi durante toda sua vida, até pouco tempo atrás, quando este Valoroso Senhor deixou este mundo, o único clube do mundo a ter um Ancião Oficial, com carteira assinada e tudo. Era o meu velho e bondoso amigo, Toninho, que andava com as mãos que lhe foram decepadas na máquina da fábrica, escondidas no bolso, uma vez que já não podia contar com elas. Mas assim mesmo ele escrevia cartas. Isso que é Corinthiano!!) que ainda era muito menino na época para poder ter visto, afirma que foi no dia 10 o primeiro jogo, contra o União.

Fato maior ainda é que enfrentar o União como primeiro jogo da vida era em si uma enorme temeridade. Ele havia faturado muitas do Botofogo, era uma equipe excelente que deveria golear o adversário. Esse jogo, na Lapa, foi assitido por muitos estudantes da Politécnica e por muitos operários da Sorocabana, entre eles o meu bisavô, que inaugurou a Tradição na nossa Família. O resultado foi magro, e favorável, naturalmente, ao União. Mas foi tão duro, tão difícil, tão suado, tão magro, que a sensação era de que se o vento soprasse para um lado com mais força, o placar virava. Não houve nenhuma briga, e no final houve sim uma cervejada, uma recreação, um petit comitê entre gentlemans.
O União não era um time qualquer, e chegou na segunda divisão da Associação Paulista de Esportes Athleticos, contando com Américo Fiaschi. Ele percebera que o Glorioso estava destinado a ser o Timão da cidade, pois em volta do campo já havia muita gente para um jogo de várzea qualquer, e em 1913 ele também viria a vestir o Manto do Guerreiro, tendo respeitado desde o princípio. O primeiro time do Glorioso tinha Valente no gol, Perrone (capitão) e Atílio; Lepre, Alfredo e Police; João da Silva, Jorge Campbell, Luiz Fabi, César Nunes e Joaquim Ambrósio.

As camisas foram lavadas, e antes de se esgarçarem pelo uso e as golas e punhos se esmaecerem em um azulado, Miguel Bataglia já tinha tomado as providências para que o club pudesse seguir sua vida. Ele não podia seguir na presidência. Um mês, se tanto. Mas foi nas mãos cuidadosas deste alfaiate que o Glorioso ganhou certidão de nascimento e o primeiro teto sob o qual se abrigou, e em sua casa (ou sua alfaiataria) fora aberto um espaço para o sonho e para a utopia.
Porque o Corinthians no começo foi uma utopia.

O Corinthians Paulista se estruturou com jogadores que davam o sangue no campo, suavam a camisa desde o primeiro minuto, e essa característica formou a índole, de César a Idário, de Idário a Touguinha, de Touguinha a Goiano, de Goiano a Carbone, de Carbone a Vladimir e Zé Maria, a Zé da Fiel e Ezequiel, e por isso tudo, apesar de todo o tempo corrido e descorrido, ainda hoje a Fiel sabe perdoar todas as fraquezas do time, menos o pecado mortal do corpo mole, falta de fibra, ausência de garra, que para os outros clubes pode até passar em branco.

E então o pessoal foi pedir à costureira, uma judia, que ela lhes fizesse uma bandeira, metade preta, metade branca, bem grande, e foram ao Padre Padova pedir que a benzesse. O padre olhou aqueles rapazinhos de olhos brilhantes com a bandeira dobradinha nas mãos, e no começo achou graça, mas depois pensou um pouco, meditou e concluiu acertadamente que se Nosso Senhor Jesus Cristo lá nas arquibancadas do céu, se olhos tivesse para algum time aqui na Terra, sem duvida seria para um time de gente humilde e esforçada, time de migalhas, e jamais para um time de epulões. E então foi lá dentro na sacristia, apanhou a estola, colocou-a em volta do pescoço (mais ou menos como fazia Miguel Bataglia com a fita métrica), ergueu os olhos e deu uma bênção em latim, e a partir daquele momento a bandeira preta e branca ficou luminosa com todas as cores do prisma... e desde aquele instante em que todas estas coisas aconteceram e que a moçada voltou com a bandeira benta desfraldada, o Corinthians foi, e é, a cara do Brasil...
Em tudo, a cara do Brasil. Principalmente nos contrastes. Até nas crises. E na maneira de vencê-las.

Os primeiros passos do Glorioso tiveram de sobrepujar não apenas as dificuldades inerentes à sua própria frágil estrutura, mas também o clima de exacerbação que afetava o futebol de Piratininga.
A rigor, qualquer clube de operários não podia ter outras pretensões que não fosse se divertir pelas várzeas da cidade. Era um tabu.
O Corinthians quebrou este tabu, mas sem duvida teve de fazer das tripas coração.

Continua.