Magrão não joga o clássico. Talvez tenha sida uma determinação do Padroeiro, poupando-o de qualquer coisa que lhe renderia tristezas. Leão, absolvido, estará em campo.
A PF já estuda indiciamento do traidor e alguns asseclas. E o berezovisqui?? E o despachante preibói?? A PF presta pra alguma coisa?
Concentração para
o Grande Clássico
Uma das mais gostosas viradas que os Corinthianos Antigos gostam de lembrar foi a que aconteceu em abril de 1971, no Estádio Estadual do Recreio do Morumbi, contra os porco. O clube dos porco tinha uma equipe soberba, com dois gigantescos maestros – Luís Pereira e Ademir da Guia – e várias estrelas. Era o início da academia.
O Corinthians? Ah, o Glorioso suava sangue, nessa época.
O Corinthians entrou em campo com Natal na ponta-direita, e Sadi improvisado de zagueiro central.
Teoricamente, ia fazer o papel de saco de pancadas, de time destinado a servir de tapete vermelho para o adversário desfilar. Era dia de fazer das tripas coração.
A Fiel compareceu, como sempre, mas com um nó atravessado no gogó.
Bambeavam as mãos que faziam tremular as Bandeiras Alvinegras.
Como se fossem dois raios disparados pelo céu ensolarado, o centro-avante César colocou duas bolas fulminantes para o arco Corinthiano. No fim do primeiro tempo, o Palmeiras vencia por dois a zero. E prometia mais, muito mais.
Os porco bebiam toda a cerveja do Recreio do Morumbi, aguardando o segundo tempo como quem espera uma apoteose.
Esfregavam as mãos e riam da cara murcha do adversário.
As Bandeiras Alvinegras continuavam a desfraldar acenos, melancólicos, "Vai Corinthians"...
No segundo tempo – ora, ora! - , Mirandinha diminui a desgraça e manda Leão buscar uma bola redondinha no fundo do gol da leitoa verde: 1 a 2.
Os porco continuavam a pular de alegria, confiantes...
Mais eis que Adãozinho resolve estragar a festa: empata o jogo, 2 a 2!
O mingau engrossa. A respiração de ambas as torcidas se torna densa e cálida. As gerais rosnam. O cimento ferve.
Os porco se explodem de júbilo quando Leivinha desfaz a esperança alvinegra e desequilibra novamente o placar: 2 a 3 pros porco. Para quem temia ser goleado, não chegava a ser um resultado catastrófico.
Mas e a Tradição? Onde estava a Tradição da virada?
Restam cinco minutos eletrizantes.
Tião, a âncora e os remos no peito, é o encarregado pelo destino de acertar as contas: vai lá e faz o terceiro gol do Corinthians, o gol do empate! Nessa altura do jogo a maioria da Fiel está rouca de tanto gritar. Já não sabem se cantam, se dançam, se deitam ou se rolam.
Os porco sentem o sufoco na alma. Há alguma coisa errada no placar.
De fato havia.
Mirandinha, quando o sol empalidecia atrás das torres dos holofotes já acesos, dá o golpe de misericórdia: O Coringão vence os porco por 4 a 3, de virada! Alguns esfregam os olhos, não crendo no que viam. Outros enxugam as lágrimas da emoção apaixonada e única no pano da Bandeira Alvinegra. Rufam os repiniques. Bumbam os surdos. Dos gorgomilos enrouquecidos ainda há fôlego para entoar, como as trombetas demolidoras das muralhas de Jericó, o Amado e Glorioso Hino:
"Salve o Corinthians, o campeão dos campeões Eternamente Dentro dos nossos corações..."
Assim disseram os Ancestrais.